Se estou sozinha, sinto-me como se precisa-se desesperadamente de alguém para andar de mão atadas.
Mas quando minhas mãos estão devidamente entrelaçadas, minha sensação é de sufoco.
Por algum tempo aquelas mãos firmes e grandes parecem acolher-me, dão-me sustento, consolo. Um leve toque faz-me desmanchar e sua força me parece tentadora.
Mas derrepente o corpo já não sente mais o calor dos dedos e a mão torna-se pesada demais. Junto com o peso, palavras duras, amargor, manias irritantes... e já não se precisa estar por perto.
Mesmo assim jogar tudo para o alto seria uma atitude insensata e vou deixando que aquela mão me arraste para sua teia, esperando que um dia volte a tirar-me o fôlego com a mesma ternura de antes ou sufocando-me de vez.
Aquelas mãos então começam a apertar-me, espremendo cada gota de ternura, cada gota de amor que ainda resta... esmagando o restinho de paciência que sobrou... retiram-me tudo... retiram-me as forças!
E derrepente, já não se quer mais estar por perto. O único sentimento que resta é o medo e medo não é uma boa aliança, não é um bom motivo para não se estar só!Estar só... é tudo o que penso agora, o vazio é tudo o que cabe em mim, é tudo o que eu quero!
(Talita Horn)